Todo sistema de armas possui um tempo muito bem definido entre a criação de um projeto, a construção de protótipos, a realização de milhares de testes, os primeiros anos de serviço, o processo de modernização, a desativação por obsolescência e, por fim, a desmobilização.
Quando esse processo enfrenta obstáculos de planejamento e mudanças de rumo nos conceitos de guerra, pode acontecer o que mostramos com relação ao Ministério da Defesa do Reino Unido, que desativa meios perdendo dinheiro para não perder mais dinheiro à frente.
No Brasil, existe um conceito diferente, presente, não escrito, praticado à exaustão, que é a canibalização de meios.
Não funciona da seguinte maneira: a Força Y recebe X quantidade daquele meio e já sabe, internamente, que não vai conseguir manter uma diagonal previsível de manutenção daquela frota, seja porque a classe política que governa o país pouco se importa com defesa, seja porque mais uma crise econômica cobra mais um sacrifício dos militares, seja porque simplesmente os recursos são contingenciados depois de anunciados, ou outra burocracia irresponsável qualquer.
Essa força precisa operar e não pode parar, pois a pressão por resultados vem de cima, daqueles que deveriam prover os recursos para a logística, a manutenção e a disponibilidade desses equipamentos.
Segundo um coronel aviador da reserva, que terá sua identidade preservada, "O país fez escolhas e essas escolhas refletem na operacionalidade das Forças. Ninguém canibaliza porque quer, mas sim por necessidade."
No que pode ser considerada a pérola dessas alegações: "As Forças sempre adotaram o padrão de comprar aeronaves a mais para ter uma ou duas para suprir o restante da frota".
Isso não é manutenção.
Contratos logísticos de manutenção não preveem essa prática, portanto ela é realizada à margem dos processos admissíveis, estandarizados.
É uma intrusão realizada a contragosto que mostra o nível de abandono pelo qual as Forças Armadas e Forças de Segurança Brasileiras são submetidas há décadas. Chegar-se ao ponto de dar de ombros e aceitar isso como "normal".
E a culpa, se existe alguma, não é das Forças Armadas.
Mas, quando a próxima tragédia das chuvas de verão, das enchentes, das secas, das endemias e pandemias, e de outras catástrofes acontecer, o Brasil vai colocar os olhos no céu, perguntando: "Onde estão nossos aviões e helicópteros?"
Pergunte aos canibais...

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