Pular para o conteúdo principal

As três medidas que resolvem o setor aéreo no Brasil, por Carlos Emmanuel Ragazzo

FOTO: ROBERTO CAIAFA
Sempre que se fala em Olimpíadas e Copa do Mundo um assunto vem à tona: aeroportos. Existe certa apreensão de que os aeroportos brasileiros não suportarão o aumento de demanda que esses eventos irão trazer para o Brasil de forma concentrada em algumas cidades (na Copa) e, em especial, no Rio de Janeiro (nas Olimpíadas).
A estratégia para resolver os principais problemas da indústria passa por algumas iniciativas, de forma a garantir não só a prestação adequada dos voos, mas também preços acessíveis a uma maior gama de consumidores, incluindo-se aí os passageiros com menor capacidade financeira. Três medidas, ao menos, dão início à iniciativa governamental para resolver o assunto. Tentarei explicá-las abaixo.
Primeiro, a expansão. Acredito que os eventos esportivos não são a verdadeira razão para os investimentos em aeroportos. Eles já eram necessários. Nos últimos dez anos, a quantidade de consumidores viajando aumentou muito. Contribuiu para isso, de um lado, a melhoria de renda de grande parcela da população, mas também a adequação das companhias aéreas a novas estratégias de mercado, ao passar a oferecer venda parcelada de passagens. Para viabilizar essa expansão, os principais aeroportos do país irão passar por processos de concessão. Já estão previstos editais para os aeroportos de Brasília, Guarulhos e Viracopos. Essa talvez seja a maior mudança no setor em mais de 20 anos.
Depois, a competição. Duas medidas servirão para aumentar a concorrência no mercado, hoje limitada por fatores relacionados a dificuldades de capitalização e de acesso de novas companhias à infraestrutura aeroportuária. A capitalização já tem uma proposta legislativa em trâmite. O projeto de Lei n. 6716/09 do Senado prevê aumento de 20 para 49% do limite para participação de capital estrangeiro em empresas de aviação nacionais. Se aprovada, a medida irá permitir um maior número de empresas capitalizando companhias menores ou mesmo entrando no mercado em parceria com investidores brasileiros. Mais empresas, mais competição.
A garantia do acesso, no entanto, é algo mais complicado. Isso porque a expansão dos aeroportos não necessariamente significa mais competição. Para garantir que esse resultado será atingido, as autoridades regulatórias deverão modificar regras de acesso à infraestrutura (como acesso a gates e slots; estes os períodos de tempo de decolagens e aterrissagens em aeroportos), assegurando que novas companhias (ou companhias menores) possam entrar nos aeroportos, a fim de competir com TAM e GOL.
Será que algo mais é necessário?
FOTO: ROBERTO CAIAFA

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Museo Storico - Aeronautica Militare - Ministero della Difesa (Vigna di Valle)

Um museu incrível, localizado em uma região lindíssima, as margens do  Lago di Bracciano, na Itália. Sejam bem vindos ao  Museo Storico dell’Aeronautica Militare di Vigna di Valle Às margens do Lago Bracciano, no sítio histórico da antiga base de hidroaviões de Vigna di Valle, fica o Museu Histórico da Força Aérea .  As suas estruturas arquitetônicas, entre antigas e modernas, estão perfeitamente integradas no ambiente do parque natural em que reside. Douglas C-47 MM 61 776 "1445" Monumento sobre o voo do dirigível "Itália" até o sobrevoo do Pólo Norte, em 1928, quando foi destruído em um acidente. O belíssimo F-104 ASA-M Starfighter RED "Ducati 999 F03" Breguet 1150 Atlantic ASW/ASUW Grumman HU-16 Albatross Grumman HU-16 Albatross Grumman HU-16 Albatross Grumman S2F Tracker Aermacchi MB.323  ""MM 554" Aermacchi MB.323  ""MM 554" Grumman HU-16 Albatross em 2º plano Sinalização para visitantes com recursos multimídia O visual a...

Saab vende a TransponderTech

A Saab anuncia a venda da Saab TransponderTech AB para a subsidiária sueca da Teledyne Technologies Inc ., a FLIR Systems AB . A conclusão da transação está sujeita ao cumprimento de determinadas condições, o que está previsto para ocorrer até o final do quarto trimestre de 2025. A TransponderTech é líder em soluções de comunicação e navegação certificadas pela Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (do inglês,  Safety Of Life At Sea  - SOLAS) para aplicações marítimas comerciais, militares e aéreas.  A venda está alinhada com a estratégia da Saab de aumentar o foco nas áreas centrais do seu negócio. Com o fechamento da transação, a Saab venderá 100% das ações que possuía na Saab TransponderTech AB. “ A TransponderTech é uma empresa extraordinária e inovadora, e temos muito orgulho das suas conquistas. À medida que nos concentramos estrategicamente em expandir nossa atuação nos segmentos militares, acreditamos que a empresa encontrará ainda mai...

Embraer fecha acordo com a Marinha do Brasil para desenvolver drones aeronavais CAT 3, CAT 4 e CAT 5.

A Embraer e a Marinha do Brasil assinaram acordos de parceria e cooperação mútua em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) em dezembro de 2022 e abril de 2024, visando o d esenvolvimento de radares   de busca de superfície embarcados e de vigilância costeira, com o aprimoramento do Radar Gaivota X , e o a poio mútuo em pesquisa, desenvolvimento e inovação  na área de tecnologia em geral, visando fortalecer a Base Industrial de Defesa Nacional e a transição da pesquisa para a indústria. Embora a Marinha do Brasil já utilize e teste diferentes tipos de drones (incluindo veículos submarinos autônomos e drones kamikaze desenvolvidos pelo Corpo de Fuzileiros Navais ) e a Embraer tenha um memorando de entendimento com a Força Aérea Brasileira (FAB) para estudar e desenvolver um veículo aéreo não tripulado avançado, os acordos específicos entre Embraer e Marinha visavam até então principalmente a tecnologia de radares, mas isso mudou na direção dos drones e está em u...