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Brasil & India 2+2, Diálogo Político Militar entre dois integrantes do BRICS acontece em Nova Delhi.

O Primeiro Diálogo Político e Militar 2+2 foi realizado entre a Índia e um de seus principais parceiros do BRICS, o Brasil, em Nova Delhi, na quinta-feira, um marco significativo nas relações bilaterais. 

A delegação brasileira foi liderada pelo diretor do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Marcelo Camara, e pelo contra-almirante Fernando de Luca Marques de Oliveira.

Pelo lado indiano, participaram das conversações Randhir Jaiswal, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, e a reunião foi co-presidida pelo secretário adicional do Ministério das Relações Exteriores, G. V. Srinivas, e pelo secretário conjunto do Ministério da Defesa, Vishwesh Negi.



 As discussões se concentraram em defesa, espaço, energia, minerais críticos, tecnologia, contraterrorismo e questões regionais, multilaterais e outras de interesse mútuo, segundo uma postagem no X do Ministério das Relações Exteriores da Índia (MEA). "Energizando a parceria estratégica Índia-Brasil! Primeiro Diálogo Político e Militar (2+2) Índia-Brasil realizado em Nova Delhi", disse o Ministério das Relações Exteriores na postagem.

No setor de Defesa, os indianos negociam com o Brasil (leia-se Embraer Defesa e Segurança) a compra de jatos de transporte militar C-390 Millennium para substituir antiquadas aeronaves de origem soviética, enquanto oferecem ao Brasil um sistema de Defesa Antiaérea denominado Akash NG, em fase final de desenvolvimento e que pode atender aos requerimentos (parcialmente) do Exército Brasileiro no que é conhecido como "Programa Estratégico do Exército Defesa Antiaérea".




Esse PEE, com previsão original de implementação até o início da próxima década, prevê a compra de sistemas de mísseis terra - ar antiaéreos capazes de cobrir as médias distâncias e altitudes engajando múltiplos alvos como aeronaves de ataque, mísseis de cruzeiro, armas stand-off e, futuramente, armamento hipersônico.

De fato, nenhuma das três forças (exército, marinha e força aérea) possuem capacidade superfície-ar moderna de médio alcance. 

Até que os mísseis MBDA SEACEPTOR estejam operacionais em inéditos lançadores verticais instalados na primeira fragata Tamandaré, o mais "moderno" sistema disponível ao Brasil, e somente para emprego naval, é o vetusto ASPIDE 2000/SPADA 2000, que basicamente é uma versão superfície-ar do míssil Sparrow extensivamente melhorada e modificada pela Selenia, a k a MBDA.

Adquiridos no final da década de 1990, esses mísseis já estão completando 20 anos de serviço nas fragatas Classe Niterói sobreviventes, prestes a serem substituídas pelas MEKO A100 fabricadas localmente.

AKASH NG

O sistema Akash NG está sendo desenvolvido pela Organização de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa (DRDO) e produzido pela Bharat Dynamics Limited (BDL ) e Bharat Electronics (BEL).


Lançadora Móvel Akash NG com giro de 360º

Em fase final de desenvolvimento, é a segunda geração, bastante modificada, do sistema antiaéreo Akash original, eliminando as falhas e fraquezas mais conhecidas da primeira versão, e aumentando o alcance efetivo, a letalidade e a quantidade de alvos que podem ser engajados simultaneamente por um míssil completamente novo em aerodinâmica, propulsão e método de guiamento.

De concepção modular, os lançadores podem ser conectados a uma central de comando e controle combinado com radares de busca e aquisição de alvos que usam conexões protegidas
para disseminar a informação para as baterias que compõem o sistema.

Em termos de performances, o Akash NG é considerado de curto-médio alcance, com capacidade de interceptação de múltiplos alvos até 70/80 km de alcance, algo que não atende totalmente aos requisitos do Exército Brasileiro, mas pode ser um excelente negócio levando-se em conta o significado estratégico no plano geopolítico: Índia fornece ao Brasil sistemas antiaéreos inéditos, aos quais o Brasil nunca teve acesso, e a Índia torna-se mais um feliz operador (e co - fabricante) do C-390 Millennium, remodelando completamente sua capacidade de remanejar tropas e suprimentos em distâncias continentais.




Outra vantagem é o fato do Akash NG estar em fase final de desenvolvimento, o que diminui bastante o risco de integração com sistemas brasileiros como radar M200 Multimissão, proposto pela Embraer e atualmente com seu desenvolvimento transcorrendo em um ritmo que só pode ser definido como lento.

Esperava-se a revelação desse radar na LAAD 2023, há quase um ano, e a verdade é que desde então praticamente não houve nenhum anúncio da Embraer sobre essa nova versão. 

Quem apareceu bastante nos noticiários sendo testado na Amazônia foi a versão inicial M200 Vigilante, bastante capaz mas ainda considerado um radar de curto alcance e baixas altitudes. 

Sua vantagem principal é o desempenho muitíssimo superior ao SABER M60, apesar do custo de aquisição maior. 

Porém, é incerto afirmar se o negócio entre Brasil e Índia poderá incluirá radares e outras capacidades da indústria brasileira, ou se o negócio será fechado, caso se concretize, inteiramente com componentes indianos.




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