Localizado a apenas 2 graus ao sul do equador, o Centro Espacial de Alcântara, no Brasil, possui um dos locais de lançamento geoestrategicamente mais ideais do mundo.
Sua localização permite que os foguetes aproveitem a velocidade de rotação da Terra, reduzindo os requisitos de combustível e aumentando a capacidade de carga útil - um fator crucial para a viabilidade do lançamento comercial.
Apesar dessa vantagem, o local permaneceu subutilizado por décadas devido a barreiras históricas, políticas, econômicas e regulatórias.
No entanto, a maré está mudando.
A INNOSPACE, a primeira empresa privada sul-coreana do New Space, tornou-se a primeira empresa a lançar de Alcântara em 2022, implantando com sucesso seu HANBIT-TLV (Test Launch Vehicle).
Em março de 2025, a empresa concluiu os testes do sistema integrado para o foguete HANBIT-Nano, projetado para transportar pequenos satélites em órbita.
O veículo suporta lançamentos para clientes nacionais e internacionais, com o HANBIT-Nano sendo capaz de entregar cargas úteis de 90 kg a uma órbita síncrona solar (SSO) de 500 km de altura.
O primeiro lançamento HANBIT-Nano está agendado para julho deste ano.
O caminho para obter a permissão desse primeiro lançamento em 2022 (HANBIT-TLV) apresentou desafios significativos. Em resposta, o governo brasileiro tomou medidas decisivas no final de 2024, aprovando uma legislação para estabelecer a "Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A.", conhecida pela sigla Alada, autorizada a negociar lançamentos com empresas privadas.
Em 2024, a Innospace formalizou vários acordos com o governo e instituições brasileiras para lançar satélites e sistemas inerciais produzidos internamente, demonstrando seu compromisso de longo prazo.
A parceria estratégica com a Innospace contribui para reposicionar o Brasil no mercado global de serviços de lançamento, uma arena tradicionalmente dominada pelos EUA, Europa e China. Esse momento se alinha com o do Brasil e do A visão mais ampla da Agência Espacial Brasileira (AEB/MCTI) de modernizar seu setor espacial por meio do estímulo ao ecossistema doméstico e da colaboração internacional.
Com o sucesso da INNOSPACE em assinar mais pedidos internacionais a serem lançados a partir do Brasil, uma estrutura regulatória fortalecida e maior apoio governamental, o setor de lançamentos espaciais do Brasil está no caminho certo para receber participantes adicionais.
Com a simplificação do processo regulatório, Alcântara tem o potencial de competir com os portos espaciais globais não apenas como uma instalação de lançamento, mas como um vibrante centro de inovação para tecnologias espaciais em toda a América Latina.
Isso pode representar o início do tão esperado avanço do Brasil na vanguarda da comunidade espacial global – uma transformação que combina vantagens geográficas estratégicas com parcerias inovadoras para estabelecer uma presença sustentável na crescente economia do Novo Espaço.
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