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A urgência da proteção antidrone para a segurança pública, privada e defesa nacional

* Por Luciano Marchetti

 

Com a crescente quantidade de drones cruzando nossos céus, uma nova e complexa camada de desafios se impõe à segurança pública, privada e à defesa do nosso país. 

Se antes as ameaças eram mais "tradicionais", hoje precisamos abrir os olhos para os riscos que essas aeronaves não tripuladas trazem, desde um uso descuidado até, infelizmente, intenções bem mais perigosas. 

Nesse contexto, investir e aplicar tecnologias e soluções para conter drones deixa de ser uma opção e se torna uma necessidade urgente.

Foto: Roberto Caiafa

Um dos primeiros obstáculos que encontramos está na própria "essência" de muitos drones que vemos por aí. Muitos modelos comerciais utilizam sistemas de comunicação com protocolos fechados, o que dificulta bastante a tarefa de identificar e rastrear esses equipamentos usando as técnicas que já conhecemos para decodificar sinais. Essa barreira nos força a buscar métodos mais inteligentes, que combinem a análise desses protocolos com outras técnicas, como a goniometria de radiofrequência. Imagine poder localizar a "direção" de onde o sinal do drone está vindo e, com uma "inteligência" que reconhece os padrões típicos desses sinais, ter uma visão muito mais clara do que está acontecendo no nosso espaço aéreo. Essa capacidade nos oferece uma camada fundamental de "estar ciente da situação".

Luciano Marchetti, vice-presidente de vendas do Grupo Arsitec

A ameaça se torna ainda mais complexa com o aumento da popularidade de drones montados em casa ou modificados. A facilidade de adquirir kits e a possibilidade de customização, incluindo a alteração das frequências de operação do datalink, representam um sério desafio para os sistemas antidrone convencionais, que, a priori, deveriam se limitar às faixas regulamentadas. A capacidade de ajustar livremente a telemetria torna esses drones praticamente invisíveis para a maioria das soluções existentes no mercado. Nesse contexto, sistemas antidrone que realizam uma varredura contínua do espectro eletromagnético emergem como ferramentas indispensáveis, capazes de detectar sinais em uma ampla gama de frequências e distinguir emissões de drones de outros sinais de menor interesse. A crescente sofisticação de criminosos, com potencial acesso a esse tipo de conhecimento, e até mesmo o uso inadvertido por entusiastas, reforçam a urgência dessa capacidade de varredura espectral abrangente.

Outra preocupação crescente é o uso de jammers por facções criminosas. A apreensão desses "fuzis jammer" pelas forças policiais demonstra uma evolução nas táticas de atuação, onde a capacidade de bloquear sinais se torna uma ferramenta para atividades ilícitas. Isso impõe aos sistemas antidrone a necessidade de não apenas detectar e localizar drones, mas também identificar a presença e a origem de sinais de jamming. Essa funcionalidade, inerente a equipamentos com capacidade de Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica (MAGE), que realizam varredura do espectro, incluindo a faixa de GNSS, e demodulam diversos tipos de sinais, passou a ser vital para uma proteção eficaz.

A evolução tecnológica dos drones também se manifesta na sua capacidade de utilizar redes celulares 3G/4G/5G para vôos além da linha de visada. O surgimento de módulos de conexão à rede móvel e a oferta de serviços de conectividade para drones por operadoras de telefonia exigem que os sistemas C-UAS expandam suas capacidades de detecção para incluir comunicações de rede móvel. A integração de demoduladores específicos e a utilização de goniometria para localizar e rastrear drones operando nessas redes são funcionalidades cruciais para manter a segurança.

Não podemos ignorar, ainda, a ameaça representada por drones militares, que possuem datalinks com larguras de banda significativamente maiores que os modelos comerciais. A experiência em conflitos recentes demonstra o uso de drones com bandas de transmissão amplas. Sistemas antidrone robustos precisam ser capazes de lidar com essas larguras de banda, utilizando analisadores de espectro com grandes bandas instantâneas.

Outra questão é a recente mudança na política de "No-Fly Zone" de um dos principais fabricantes de drones, transferindo a decisão de voar em áreas restritas para o piloto, o que introduz uma nova dinâmica. Embora inicialmente válida para alguns países, a tendência de isentar o fabricante de responsabilidades pode levar à sua extensão para outros. Independentemente dessas políticas, a busca por drones não afetados por essas restrições, incluindo modelos caseiros e modificados, reforça a necessidade de soluções de detecção independentes das limitações de geofencing.

A chegada a alguns países de equipamentos de monitoração e contenção de drones utilizados nos conflitos atuais, por meios ilegais, eleva ainda mais o nível de alerta. A familiaridade das organizações criminosas com essas tecnologias e suas capacidades exige que os sistemas de defesa adotados considerem essa nova realidade, buscando soluções comprovadamente eficazes em cenários de alta complexidade.

Além da detecção e localização, capacidades adicionais, como a demodulação de sinais de vídeo, presentes em sistemas avançados, oferecem informações valiosas, como a visualização em tempo real do que a câmera do drone capta, podendo revelar detalhes sobre o operador, a área de decolagem e os objetivos do voo.

A integração de diferentes sensores, permitindo várias camadas de proteção é fundamental. Em cenários onde drones operam em voos autônomos, sem depender de controle remoto e, portanto, sem emissão de sinais de rádio detectáveis, a utilização de radares projetados especificamente para detecção de drones, permitindo baixos índices de alarmes falsos, torna-se uma camada adicional de segurança indispensável.

Outros sensores a serem considerados são os optrônicos, especialmente aqueles com capacidade de imagem térmica. Eles complementam os sistemas de detecção eletrônica, permitindo a verificação da carga útil do drone e a validação das informações transmitidas pelo datalink. A capacidade de identificar visualmente drones modificados, como demonstrado em eventos de grande porte, reforça a importância dessa camada de verificação.

Finalmente, a capacidade de bloquear sinais de drones de forma eficaz e seletiva é um componente crucial das soluções de contenção. Bloqueadores com ampla cobertura de frequência, alta potência de saída e capacidade de programação flexível oferecem a capacidade de neutralizar ameaças em um raio considerável, adaptando-se a diferentes cenários e tipos de drones, sejam eles comerciais ou militares.


Foto: Roberto Caiafa

Em suma, a proteção contra a crescente ameaça dos drones exige uma abordagem multifacetada e a adoção de tecnologias avançadas de detecção, localização e contenção. A capacidade de lidar com protocolos fechados, drones modificados, sinais de jamming, comunicações de rede móvel, amplas larguras de banda e voos autônomos é essencial para garantir a segurança pública, a proteção de infraestruturas críticas e a defesa nacional. Ignorar essa realidade é colocar em risco a segurança de nossa sociedade.

* Luciano Marchetti, vice-presidente de vendas do Grupo Arsitec

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