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MLBR exibe foguete em tamanho real e resultados de testes realizados no último ano (entrevista exclusiva!)

Projeto apresenta avanços em sistemas críticos, validações em voo e ensaios estruturais, que aproximam o país da capacidade de realizar lançamentos orbitais próprios.

 

O Microlançador Brasileiro (MLBR), projeto que busca desenvolver um veículo nacional para o lançamento de pequenos satélites, é um dos destaques da SpaceBR Show 2026, principal evento do setor espacial da América Latina, realizado entre os dias 16 e 18 de junho, no Expo Center Norte, em São Paulo.
 
Durante a feira, o público pode conhecer a estrutura do foguete em tamanho real e acompanhar os avanços alcançados pelo programa ao longo dos últimos meses. 

Desde a edição anterior do evento, o projeto concluiu uma série de ensaios considerados fundamentais para o desenvolvimento de veículos lançadores, incluindo testes ambientais da eletrônica embarcada, validações estruturais do motor do primeiro estágio, integração de sistemas e campanhas de qualificação do Sistema de Navegação Inercial/GNSS (SNI-GNSS), inclusive em condições reais de voo.
 
Os resultados representam etapas importantes no processo de maturação tecnológica do veículo e reforçam a capacidade da indústria nacional de desenvolver sistemas críticos para aplicações espaciais. "Na última edição da SpaceBR Show apresentamos principalmente os desafios e objetivos do programa. Hoje podemos mostrar resultados concretos de testes, validações em voo e integrações já realizadas. Isso demonstra a evolução do projeto e a capacidade da indústria brasileira de transformar planejamento em desenvolvimento tecnológico efetivo", destacou Rafael Mordente, CEO da Concert Space.
 
"Projetos dessa natureza evoluem por meio de sucessivas validações técnicas. Os ensaios realizados nos últimos meses demonstram que o programa segue avançando de forma consistente, reduzindo riscos e consolidando competências essenciais para futuras operações de lançamento", afirmou Ralph Correa, sócio da CENIC, empresa líder do arranjo produtivo responsável pelo desenvolvimento do MLBR.
 
Testes em voo validam sistema de navegação.
 
Entre os marcos recentes do programa está a realização de dois ensaios em voo do Sistema de Navegação Inercial/GNSS (SNI-GNSS), tecnologia responsável por determinar a posição, velocidade e orientação do foguete durante a missão.
 
O primeiro teste foi realizado a bordo de uma aeronave monomotor, permitindo validar o funcionamento dos sensores e algoritmos de navegação em condições reais de operação. Posteriormente, o sistema também foi embarcado no foguete HANBIT-Nano, da empresa sul-coreana INNOSPACE, durante uma missão de lançamento realizada em dezembro de 2025.
 
Mesmo com a interrupção prematura do voo em decorrência de uma falha no veículo lançador, o sistema permaneceu operacional desde sua energização até a perda de sinal da missão, permitindo a coleta de dados relevantes para validação dos sensores inerciais, do receptor GNSS e dos algoritmos embarcados. "Os dados obtidos permitiram validar aspectos críticos do sistema em condições que não podem ser reproduzidas integralmente em laboratório. Isso representa um importante avanço para a qualificação da tecnologia que será utilizada no MLBR", ressaltou Rafael Mordente.
 
Estrutura do motor supera requisitos previstos.
 
Outro avanço relevante foi a realização do teste hidrostático do motor do primeiro estágio, conduzido pela CENIC. O ensaio teve como objetivo validar a resistência estrutural do motor, os processos de fabricação e o desempenho dos materiais utilizados. Durante o procedimento, o equipamento foi submetido a pressões superiores às que encontrará durante o voo.
 
O resultado demonstrou uma margem de segurança significativa: a ruptura estrutural ocorreu apenas em níveis de pressão muito acima daqueles previstos para a operação nominal do veículo. A campanha contribui para validar conceitos de engenharia empregados no desenvolvimento dos propulsores e reduzir riscos nas próximas etapas do programa.
 
Ensaios ambientais e eletromagnéticos
 
Os sistemas eletrônicos embarcados no MLBR também concluíram importantes campanhas de qualificação conduzidas pela ETSYS. Foram realizados testes ambientais que simulam condições extremas de temperatura, vibração, umidade e choques mecânicos semelhantes aos enfrentados durante um lançamento espacial. Além disso, os equipamentos passaram por ensaios de compatibilidade eletromagnética, que verificam a capacidade de operar adequadamente mesmo diante de interferências elétricas e eletromagnéticas.
 
Essas etapas são essenciais para garantir a confiabilidade dos sistemas embarcados e assegurar o funcionamento integrado dos diversos subsistemas do veículo.
 
Simulador permite reproduzir missões completas.
 
O programa também avançou na integração dos sistemas por meio de uma estrutura de simulação operacional desenvolvida pela Plasmahub. Conhecido como RIG de integração, o ambiente funciona como um simulador do foguete, permitindo testar de forma integrada os sistemas embarcados, os sistemas de solo e a lógica operacional das futuras missões.
 
Nesse ambiente já é possível executar simulações completas das sequências de lançamento, antecipando a identificação de falhas, validando protocolos de comunicação e aumentando a confiabilidade das operações futuras.
 
Mercado em expansão.
 
O MLBR está sendo desenvolvido para atender ao mercado de pequenos satélites, segmento que registra crescimento acelerado em todo o mundo, impulsionado por aplicações em telecomunicações, observação da Terra, agricultura, monitoramento ambiental, defesa, logística e conectividade.
 
A primeira versão do veículo terá cerca de 12 metros de altura, 1,1 metro de diâmetro e capacidade para transportar até 40 kg para órbitas de aproximadamente 450 quilômetros de altitude. 

A operação de lançamento está prevista para ocorrer a partir de 2027, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.
 
Sobre o MLBR
 
O Microlançador Brasileiro (MLBR) é um Veículo Lançador de Pequeno Porte (VLPP) desenvolvido por um arranjo produtivo formado pelas empresas CENIC, Concert Space, Plasmahub, Delsis e ETSYS, com participação de parceiros estratégicos como Bizu Space, Fibraforte e HORUSEYE TECH.
 
O projeto é financiado pela Finep, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), e conta com acompanhamento técnico da Agência Espacial Brasileira (AEB).

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