A DEFESA COMO POLÍTICA DE ESTADO: ESTUDO DA DIREÇÃO GERAL DE ARMAMENTO (DGA) E SUA VIABILIDADE NO CONTEXTO BRASILEIRO
A DEFESA COMO POLÍTICA
DE ESTADO: ESTUDO DA DIREÇÃO GERAL DE ARMAMENTO (DGA) E SUA VIABILIDADE NO
CONTEXTO BRASILEIRO
DEFENSE AS A STATE
POLICY: STUDY OF THE GENERAL DIRECTORATE OF ARMAMENTS (DGA) AND ITS FORECASTS
IN THE BRAZILIAN CONTEXT
Maycon Lovato, Universidade Estadual de Ponta Grossa,
Brasil, 19028363@uepg.br
Franciele Aparecida Cecato, Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil, facecato@uepg.br
Resumo
Este estudo investiga a Direção Geral de Armamento (DGA),
órgão central da política de defesa da França, como um modelo de governança
integrada e política pública de defesa, avaliando sua aplicabilidade ao contexto
institucional brasileiro. A defesa nacional no Brasil, apesar de sua
importância, é frequentemente negligenciada nos debates públicos, o que resulta
em uma dependência tecnológica crescente e na fragilidade da Base Industrial de
Defesa (BID). A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com objetivos
descritivo-exploratórios, e utiliza a pesquisa bibliográfica e documental para
analisar a estrutura, o funcionamento e as estratégias de longo prazo da DGA.
Os resultados indicam que a DGA, criada em 1961, garante à França autonomia
estratégica por meio de mecanismos como a Loi de Programmation Militaire (LPM),
que assegura previsibilidade orçamentária e continuidade dos programas. Em
contraste, o Ministério da Defesa brasileiro enfrenta dificuldades com instabilidade
orçamentária e fragmentação de projetos. A pesquisa conclui que a replicação
integral do modelo francês não é viável no Brasil, mas sugere que o país adote
um modelo de governança centralizada adaptado à realidade brasileira. Para
isso, propõe a fortalecimento da SEPROD (Secretaria de Produtos de Defesa), a
implementação de um orçamento plurianual por meio da PEC 55/2023 e o fomento à
inovação através da transferência de tecnologia, com o objetivo de consolidar a
defesa nacional como uma política de Estado e motor do desenvolvimento
nacional.
Palavras-chave: Ministério da Defesa, Direcção Geral de Armamento Francesa, Inovação e Tecnologia, Indústria nacional de defesa.
Abstract
This study
investigates the Direction Générale de l’Armement (DGA), the central body of
France’s defense policy, as a model of integrated governance and public defense
policy, assessing its applicability to the Brazilian institutional context.
National defense in Brazil, despite its importance, is often neglected in public
debates, resulting in growing technological dependence and a weakened Defense
Industrial Base (BID). The research adopts a qualitative,
descriptive-exploratory approach, employing bibliographic and documentary
research to analyze the structure, operation, and long-term strategies of the
DGA. The results indicate that the DGA, created in 1961, ensures France’s
strategic autonomy through mechanisms such as the Loi de Programmation
Militaire (LPM), which provides budgetary predictability and program continuity.
In contrast, the Brazilian Ministry of Defense faces challenges related to
budget instability and project fragmentation. The study concludes that fully
replicating the French model is not feasible in Brazil, but recommends adopting
a centralized governance model adapted to national realities. It proposes
strengthening SEPROD (Defense Products Secretariat), implementing a multi-year
budget through PEC 55/2023, and promoting innovation via technology transfer to
consolidate national defense as a State policy and a driver of national
development.
Keywords:
Ministry of Defense; French Directorate of Armament; Innovation and Technology;
National Defense Industry.
1.
Introdução
O processo de redemocratização no Brasil
trouxe consigo profundas transformações institucionais e políticas, entre as
quais se destaca a criação de um novo formato para o Ministério da Defesa.
A reestruturação baseou-se na Lei Complementar
nº 97, de 9 de junho de 1999, que estabelece as normas gerais para a
organização, preparo e o emprego das Forças Armadas, onde em linhas gerais, consolidou o controle civil sobre os
assuntos militares e promoveu maior integração entre as Forças Armadas, a
sociedade e o Estado (BRASIL, 1999) .
No entanto, ao longo das últimas décadas, a
pasta da Defesa tem enfrentado inúmeros desafios que dificultam sua
consolidação como ator estratégico dentro da administração pública brasileira.
Como destaca Saint-Pierre (2011), a institucionalização da defesa no Brasil
ainda é recente e marcada por tensões entre a lógica civil e a militar, o que
limita a consolidação de uma política de defesa efetivamente integrada,
entre esses desafios, destacam-se as restrições orçamentárias.
Tais fatores têm comprometido não apenas a
modernização das Forças Armadas, mas também o fortalecimento da Base Industrial
de Defesa, elemento essencial para a soberania nacional e para o desenvolvimento tecnológico e industrial do país. Com o
investimento no setor da defesa, o Brasil será capaz de exportar matéria prima
de alta-tecnologia, agregando o valor em seus produtos, alçando novos mercados
de exportação (LESKE, 2013).
Essa realidade evidencia uma contradição:
embora a defesa nacional seja um dos pilares fundamentais da existência do
Estado, no Brasil ela tem ocupado uma posição marginal no debate público e nas
prioridades governamentais (Almeida, 2010). A
ausência de políticas consistentes e de longo prazo tem gerado dependência
tecnológica externa, vulnerabilidade diante de cenários internacionais
complexos e dificuldades em articular o setor de defesa como vetor de inovação
científica, geração de empregos qualificados e dinamização da economia.
Nesse sentido, a análise de modelos
estrangeiros de organização da estratégia institucional pode contribuir para
identificar caminhos e alternativas que auxiliem no aprimoramento da política
de defesa brasileira.
É nesse contexto que se insere a Direção Geral
de Armamento (DGA), órgão central da política de defesa francesa, criada em 5
de abril de 1961, cuja experiência se tornou referência mundial. Criada com o
objetivo de coordenar, planejar e implementar programas de armamento, a DGA tem
desempenhado papel fundamental não apenas no fortalecimento das Forças Armadas
Francesas, mas também no desenvolvimento tecnológico e industrial da França
(DGA, 2023).
Contudo, sua atuação influenciou
significativamente a consolidação de uma base industrial de defesa europeia,
integrando interesses nacionais a uma lógica de cooperação regional.
Nesse contexto, torna-se relevante analisar a
importância do DGA para o desenvolvimento tecnológico, dessa forma o presente
trabalho tem como objetivo analisar a Direção Geral de Armamento (DGA) como
política pública de defesa e sua viabilidade como modelo de referência para o
contexto institucional brasileiro.
Para isso será necessário investigar o
funcionamento, estrutura e estratégias da DGA francesa; avaliar como políticas
públicas e gestão estratégica de defesa podem contribuir para a inovação
tecnológica e o desenvolvimento da base industrial de defesa nacional, propondo
diretrizes para uma governança mais integrada e eficiente da defesa como
política de Estado no Brasil.
O presente estudo está estruturado em cinco partes: introdução,
fundamentação teórica, onde serão destacados Política Pública, a Política de
Defesa do Brasil, onde será abordado desde a evolução do ministério da defesa
ao passar dos anos até o formato atual, passando pelo desenvolvimento e
inovação na área da defesa. Na terceira etapa será descrita a metodologia aplicada
no estudo, em seguida serão apresentadas as análises de dados e finalizando com
as considerações finais.
2. Fundamentação teórica
2.1
Política Pública
De acordo com Saravia (2006), as políticas
públicas se tratam de processo dinâmico de decisões governamentais buscando
manter ou transformar a realidade social. Embasada nos fatores históricos,
questões sociais, valores e interesses dos atores envolvidos.
Nessa perspectiva, as políticas públicas
configuram-se como estratégias orientadas a múltiplos objetivos, como a
promoção da justiça social, a consolidação democrática, a manutenção do poder
ou o bem-estar da população, materializadas por meio da definição de metas,
estratégias de ação e alocação de recursos voltados para diferentes setores
sociais.
O entendimento de Saraiva (2006) permite
refletir sobre a seletividade presente nesse processo. Segundo o autor nem
todas as necessidades da população, ou de grupos específicos da sociedade,
recebem a mesma atenção, uma vez que o Estado frequentemente marginaliza
setores menos visíveis no debate público, como a defesa nacional que apesar de
sua relevância estratégica para a soberania e a segurança do país, costuma ser
tratada de forma secundária em comparação com outras pautas de maior apelo
social, como saúde ou educação.
Esse cenário reforça a noção de que as
políticas públicas são permeadas por escolhas políticas que priorizam
determinados interesses e atores em detrimento de outros.
É possível encontrar na literatura clássica e
contemporânea diferentes visões sobre o papel do Estado: o autor Smith (1776),
destaca sobre as funções do Estado, para ele, sua atuação deveria se restringir
a funções essenciais, como: segurança, justiça e infraestrutura. Já Musgrave
(1959) ampliou esse escopo ao identificar três funções centrais das políticas
públicas: alocação, distribuição e estabilização.
Nesse sentido, Myrdal (1968 apud
FERREIRA; SALLES, 2022) reforça o caráter redistributivo
do Estado, enquanto Stiglitz (2012; 2016) acrescenta que fatores políticos
intensificam a desigualdade de renda, tornando imprescindível a intervenção
estatal em contextos de disparidades sociais.
Visto como um agente de poder, o estado
reflete e reproduz ações já existentes, enquanto as políticas públicas
funcionam como instrumento de controle social. As mesmas não são neutras, no
entanto garantem um equilíbrio entre disputas políticas, sociais e econômicas,
buscando uma solução entre o bem estar coletivo e as demandas do mercado.
Considerando os cenários das políticas públicas em nosso país, e o
entendimento de como são tratadas essas questões, na seção a seguir será
pontuada a política de defesa e seus principais aspectos teóricos.
2.2 Política de Defesa No Brasil
Construído por um extenso processo histórico,
a política de defesa no Brasil reflete a evolução do estado brasileiro e suas
transformações. As forças armadas mostram um papel crucial para consolidação da
soberania nacional e na construção de estruturas de poder, atuando tanto na
defesa territorial quanto em momentos políticos decisivos. Ao longo dos séculos a política passou por diversas
redefinições, se adaptando às mudanças do
cenário internacional e as demandas solicitadas
pelo regime democrático.
De acordo com os autores Bornes, Giesteiro e
Couto (2022), o orçamento de defesa no Brasil costuma ser analisado sob a ótica
da chamada “questão militar”, cuja origem remonta ao final do Segundo Império.
Após a Guerra do Paraguai, os oficiais passaram a reivindicar reformas
significativas, como a abolição da escravidão, o fim da guarda nacional, a
profissionalização e o aumento dos gastos com as Forças Armadas.
Essas demandas contribuíram para o
protagonismo militar em diversos momentos da história política nacional, como a
Proclamação da República, as revoluções de 1930 e 1932, o Estado Novo e o regime militar.
Segundo Costa (1996), embora existam estudos
sobre o tema desde a década de 1930, após 1964 o debate ganhou estrutura, centrando-se
principalmente em cinco eixos interligados: subordinação, autonomia, controle,
influência e tutela, aspectos pelos quais o
orçamento de defesa brasileiro é comumente abordado.
Dessa forma, o orçamento de defesa brasileiro
não pode ser compreendido apenas como um instrumento de alocação de recursos,
mas sim como reflexo de um processo histórico permeado por disputas políticas e
institucionais. Desde o final do segundo império a chamada questão militar,
consolidou uma lógica de atuação das Forças Armadas que vai além da esfera
estritamente técnica, inserindo-as como atores centrais na estrutura de poder
do Estado (COSTA, 1996).
Segundo Santos (2013) o processo de criação do
Ministério da Defesa teve início em 1997, onde foi implantada no governo
Fernando Henrique Cardoso (FHC), sob a gestão
de Geraldo Quintão, que enfrentou dificuldades relacionadas à limitação
orçamentária e institucional. No governo Lula, com José Viegas Filho à frente
da pasta, destacaram-se a ampliação de recursos militares, a valorização da
Amazônia como espaço estratégico, a regulamentação da lei do abate e a
intensificação do diálogo com países sul-americanos
Fuccille (2006) em sua tese de
doutorado, intitulado "Democracia e
questão militar: a criação do Ministério
da Defesa no Brasil”, nota que o Brasil ainda não
alcançou um nível de amadurecimento suficiente em sua sociedade para discutir
sobre o aspecto de defesa, tornando esse debate ainda restrito. Um reflexo do
contexto de paz vivido pelo país, acarretando em pouca compreensão sobre o
papel das Forças Armadas diante dos desafios contemporâneos.
A criação do Ministério da Defesa representou
uma ruptura necessária com os antigos modelos herdados dos Ministérios
Militares, enfrentando diversas resistências do Partido
dos Trabalhadores (PT), como, por exemplo, o
questionamento sobre o papel e as funções das
instituições militares em um estado democrático.
Sendo assim, as Forças Armadas passaram a
assumir missões que iam além da defesa do território nacional e operações de
Garantia da Lei e da Ordem (GLO), ações de apoio à defesa civil, e em
atividades voltadas à infraestrutura nacional, evidenciando um processo de
ampliação do escopo de sua atuação.
Ao longo dos anos, com o processo de
amadurecimento institucional do Ministério da Defesa, foi elaborado o Livro Branco de Defesa Nacional, que incorpora o Plano Nacional de
Defesa (PND), documento que
estabelece as diretrizes fundamentais para a condução da política de defesa,
abordando temas como a relação entre defesa e sociedade, as atribuições de cada
uma das três forças armadas, as missões subsidiárias, e o desenvolvimento
científico-tecnológico em articulação com a Base Industrial de Defesa (BID) (BRASIL, 2012).
Segundo Diniz (2013), a formação de um Estado
desenvolvimentista não segue uma fórmula universal, pois depende de um processo
contínuo de experimentação e aprendizado que considera as particularidades
institucionais de cada país. O autor destaca que desenvolvimento e Estado
desenvolvimentista são dimensões inseparáveis, exigindo uma abordagem
multidisciplinar que articule teoria do desenvolvimento, instituições e
política. Trata-se, portanto, de um projeto coletivo de transformação social e
econômica sustentado por valores e metas compartilhadas.
No Brasil, o intervencionismo estatal exerceu
um papel positivo no desenvolvimento do país, configurando uma forma de
capitalismo mais coordenada e articulada. Partindo de Getúlio Vargas na década
de 1930, seguiu com o desenvolvimentismo da era Kubitschek nos anos 1950 e pela
substituição de importações, durante os governos militares. O Estado assumiu
função central na formatação do desenvolvimento nacional, articulando as
relações entre o setor público e o privado para equilibrar seus interesses
(Kohli, 2004; Boschi & Lima, 2002; Diniz & Boschi, 2004).
Conforme Cândido
(2002) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE
(1992), as transformações no ambiente empresarial exigem a redefinição do papel
do Estado, com foco na coordenação de esforços e no estímulo à pesquisa e à
inovação. Nesse contexto, as políticas públicas configuram-se como instrumentos
estratégicos para o fortalecimento do Sistema Nacional de Inovação, entendido
como uma rede de instituições públicas e privadas responsáveis pela criação e
difusão de novas tecnologias.
A inovação,
portanto, é um processo coletivo que depende da cooperação entre Estado,
empresas e centros de pesquisa, demandando políticas que promovam redes de
cooperação e ampliem a competitividade nacional com base tecnológica.
Esse debate sobre o
Estado desenvolvimentista e o Sistema Nacional de Inovação é particularmente
relevante para o setor de defesa, uma vez que a Base Industrial de Defesa (BID)
depende de políticas públicas integradas de inovação tecnológica, pesquisa científica
e planejamento estratégico — de modo semelhante ao que ocorre em países como a
França, com a Direção-Geral de Armamento (DGA).
Assim, compreender
a relação entre desenvolvimento econômico e defesa permite analisar como a
política de defesa pode atuar como vetor de inovação e de fortalecimento da
soberania nacional.
2.3 Inovação e Tecnologia na Política de Defesa
O papel do setor de defesa sempre esteve
intimamente ligado ao avanço da inovação tecnológica, visando ao
desenvolvimento de capacidades que proporcionam vantagens estratégicas sobre os
oponentes, seja nos campos de batalha, na
obtenção de inteligência ou nas comunicações.
Embora muitos ainda desconsiderem essa
relação, diversas tecnologias amplamente utilizadas no cotidiano têm origem no
meio militar. Um dos maiores exemplos é o sistema de posicionamento global
(Global Positioning System – GPS), assim como a própria internet, ambos criados
inicialmente para atender às demandas do Departamento de Defesa dos Estados
Unidos da América (ÁLVARES, 2016).
O resultado do Programa Estratégico FX‑2, que
teve como vencedor o caça Gripen da empresa sueca Saab, evidencia a importância
de estratégias que combinam aquisição de tecnologia estrangeira e
desenvolvimento local. Além da compra das aeronaves, o programa incluiu
cláusulas de transferência de tecnologia e a produção de componentes em
território nacional, sob responsabilidade da Embraer, fortalecendo a
capacitação tecnológica e industrial do setor aeronáutico de defesa (BRASIL,
2014).
O Ministério da Defesa (s.d., n.p.) define a
BID:
Base
Industrial de Defesa (BID) o conjunto das empresas estatais ou privadas que
participam de uma ou mais etapas de pesquisa, desenvolvimento, produção,
distribuição e manutenção de produtos estratégicos de defesa – bens e serviços
que, por suas peculiaridades, possam contribuir para a consecução de objetivos
relacionados à segurança ou à defesa do país (BRASIL,s.d., n.p.)
O Ministério da Defesa (MD), a Base
Industrial de defesa e o estado estão estritamente ligados, onde os programas
estratégicos das forças armadas guiam muitos desenvolvimentos no setor de
defesa nacional, sendo um papel também do estado proporcionar as condições
adequadas para que a indústria nacional
se desenvolva.
As políticas públicas voltadas à defesa têm
papel central na sustentação e no fortalecimento da Base Industrial de Defesa
(BID). Dada a natureza estratégica e sensível desse setor, sua consolidação não
ocorre de forma espontânea, mas depende da atuação contínua do Estado como
planejador, regulador e financiador.
A formulação de políticas públicas
consistentes é fundamental para assegurar a manutenção da capacidade produtiva,
o incentivo à inovação e a previsibilidade orçamentária necessárias para o
desenvolvimento tecnológico de longo prazo.
Nesse contexto, Pacheco e Pedone (2016)
destacam que o Estado deve atuar como um dos principais fomentadores da
inovação no setor de defesa, por meio de instrumentos que garantam estabilidade
orçamentária e previsibilidade institucional. Segundo os autores, essa atuação
pode se dar de diversas formas, como compras governamentais diretas realizadas
pelas Forças Armadas, garantia de orçamentos plurianuais que assegurem a
continuidade de programas estratégicos, e mecanismos de financiamento público,
como os oferecidos por instituições nacionais, a exemplo do BNDES e da FINEP.
Essas medidas permitem manter a demanda industrial e promover um ambiente
favorável à inovação e à competitividade da indústria nacional.
A experiência internacional reforça essa
necessidade. Países que consolidaram uma base industrial de defesa robusta,
como a França e os Estados Unidos, estruturam políticas de longo prazo voltadas
à integração entre defesa, indústria e inovação tecnológica, garantindo
estabilidade de investimento e coordenação entre governo, forças armadas e
setor produtivo (LESKE, 2013).
No Brasil, embora haja avanços institucionais
com a criação da Política Nacional da Indústria de Defesa (PNID) e da
Estratégia Nacional de Defesa (END), ainda persiste a necessidade de maior
continuidade orçamentária e de políticas que reduzam a vulnerabilidade da
indústria nacional frente à concorrência estrangeira. Assim, a efetividade das
políticas públicas de defesa depende da capacidade estatal de equalizar a
competição, estimular a inovação e articular mecanismos de financiamento e
compras públicas que fortaleçam a BID de forma sustentável.
Na próxima seção, serão tratados a classificação da metodologia sendo este
processo essencial para a análise de dados nos próximos tópicos.
2.
Metodologia
Este trabalho tem como objetivo analisar a
Direção Geral de Armamento (DGA) como política pública de defesa e sua
viabilidade como modelo de referência para o contexto institucional brasileiro,
buscando atingir este objetivo a pesquisa está assim classificada:
Quanto à abordagem, esta pesquisa é
qualitativa, através da análise de referenciais teóricos, documentos oficiais e
modelos institucionais de política de defesa. Como destaca Minayo (2001, p.
21), a pesquisa qualitativa "trabalha com o universo dos significados,
motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes", permitindo compreender
dimensões que não podem ser quantificadas de maneira imediata.
Quanto à natureza, trata-se de uma pesquisa
aplicada, não se detém apenas na descrição de um fenômeno, mas busca ativamente
gerar conhecimento prático e direcionado à solução de um problema concreto: a
descontinuidade e a baixa previsibilidade da governança de defesa no Brasil
(GIL, 2008). Ao estudar o modelo francês, a pesquisa visa extrair subsídios para
a otimização de políticas públicas na realidade brasileira.
Em relação aos objetivos, a pesquisa é
descritiva, com uma vertente exploratória. Ao propor a detalhar minuciosamente
as competências, a estrutura organizacional, os mecanismos de financiamento
(como a Loi de Programmation Militaire - LPM) e o funcionamento da DGA. É
exploratório ao investigar um problema (a comparação DGA-SEPROD) sobre o qual
há pouca sistematização na literatura nacional, buscando levantar hipóteses
sobre a viabilidade de adaptação de um modelo exógeno ao contexto institucional
brasileiro (GIL, 2008).
Para a fundamentação teórica e a coleta de
evidências, foram utilizados procedimentos técnicos de pesquisa bibliográfica e
pesquisa documental (GIL, 2008). A pesquisa bibliográfica foi essencial para
construir o referencial teórico sobre "Defesa como Política de
Estado", a importância da Base Industrial de Defesa (BID) e os conceitos
de governança pública.
No tópico a seguir serão apresentados e
discutidos os dados e resultados encontrados neste estudo.
4. Resultados e discussão
4.1 Funcionamento e Estrutura da DGA
Desde sua criação
em 1961, sob a presidência do General de Gaulle, a Direction générale de
l’armement (DGA) foi concebida com o objetivo de garantir a dissuasão e a
autonomia estratégica da França.
Anualmente, a DGA
conduz, em média, mais de cem operações de armamento, abrangendo toda a gama de
equipamentos de alta tecnologia necessários às Forças Armadas francesas para o
cumprimento de suas missões.
Além de atuar na
gestão integral dos sistemas de armas ao longo de toda a vida útil dos
programas, a agência prepara o desenvolvimento futuro de sistemas de defesa,
sempre com o objetivo de assegurar a independência tecnológica e estratégica do
país (DGA, 2023).
A estrutura
organizacional da Direção Geral de Armamento (DGA) é composta por diversos
departamentos e serviços especializados. Entre seus principais setores,
destacam-se as áreas de inspeção e acompanhamento de projetos, inteligência e
comunicações, atividades nucleares e de dissuasão, gestão de recursos humanos,
integração industrial e inovação tecnológica, além de diretorias voltadas à
cooperação internacional e ao apoio às exportações de material de defesa.
O modelo de gestão
adotado pela DGA tem permitido que não apenas a França, mas também seus
parceiros industriais e militares europeus mantenham, ao longo dos anos, um
ritmo constante de desenvolvimento tecnológico e industrial, baseado na
integração entre as empresas do setor. Para que esse processo se sustente, o
Estado deve exercer um papel central como principal cliente e indutor da
indústria de defesa, assegurando a continuidade das linhas de produção e
preservando um elevado nível de autonomia estratégica nacional e europeia. (Andriès,
2023).
Entre seus principais instrumentos de
planejamento, destacam-se os Programmes d’Armement que compreendem todas as
fases do ciclo de vida dos sistemas de defesa, desde a concepção até a
manutenção, as Lois de Programmation Militaire (Leis de Programação Militar),
que estabelecem metas e orçamentos plurianuais para o setor de defesa, e os
contratos de longo prazo firmados com a Base Industrial e Tecnológica de Defesa
(BITD).
Esses mecanismos permitem à DGA garantir
previsibilidade orçamentária, continuidade nos investimentos e coordenação
efetiva entre os diversos atores envolvidos na execução das políticas de defesa
(Ministère des Armées, 2024).
A busca pela
autonomia estratégica europeia tem permitido que os países do continente
reduzam gradualmente sua dependência de recursos e materiais bélicos
provenientes de nações como os Estados Unidos.
Conforme observa
Andriès (2023), um dos pilares essenciais para que esse modelo se mantenha
funcional é a previsibilidade orçamentária voltada a investimentos na área de
defesa, garantindo a regularidade dos prazos e a continuidade dos pagamentos,
fatores indispensáveis para o planejamento industrial e tecnológico de longo
prazo.
Dessa forma, a DGA consolidou-se como um
modelo de governança integrada em defesa, combinando planejamento estatal,
gestão técnica e articulação institucional entre o Estado, as Forças Armadas e
a indústria. Sua estrutura centralizada, aliada à capacidade de planejar e
financiar programas de longo prazo, tem assegurado à França altos níveis de
soberania tecnológica e autonomia estratégica.
Esses elementos constituem as bases para
avaliar, na seção seguinte, a viabilidade de adaptação do modelo francês ao
contexto brasileiro, considerando as particularidades institucionais,
orçamentárias e culturais do país.
4.2 Estratégias de Política Pública e Inovação
A DGA age como principal vetor de políticas
públicas na defesa, inovação tecnológica e desenvolvimento industrial no país.
Desde sua criação a DGA aborda não só o desenvolvimento na ótica militar, mas
também como um órgão de planejamento no investimento em ciência e tecnologia,
com essa estratégia se desdobrando em programas de estado de longo prazo, com
incentivos e parcerias de desenvolvimento em instituições de pesquisa públicas
e privadas (DGA, 2023).
Dentre esses incentivos a pesquisa e inovação
destacam-se programas e instituições envolvidas, como as Compras Públicas
Estratégicas: Uma forma do estado francês comprar materiais e equipamentos da
sua base industrial de defesa, estimulando a economia no setor e o
desenvolvimento de novas tecnologias e protótipos, assim o estado atuando como
simultaneamente como cliente, investidor e indutor tecnológico.
Com os seus orçamentos plurianuais
garantidos pela Lois de Programmation Militaire (LPM), que asseguram a dinheiro
para financiar tais projetos ao longo de seu desenvolvimento. condição
essencial para o amadurecimento de tecnologias de uso dual (civil e militar)
(Ministère des Armées, 2024).
Esse financiamento traz resultado ao sucesso
da DGA, criada em 1961. Como prova disso, em 2024 a França chegou à posição de
ser o segundo maior exportador de material bélico do mundo, o que significa
que, além de atender às demandas de seu país, seus frutos transbordam para o
mundo em suas exportações. Isso pode gerar resultados positivos não só para a
indústria nacional, mas também trazer ganhos diplomáticos e econômicos. (LA
FABRIQUE DE L’INDUSTRIE, 2023).
4.3 Comparativo entre França (DGA) e Brasil:
Ao analisar os dois formatos de se fazer políticas públicas de defesa,
percebe-se grandes diferenças entre o modelo adotado pela Direção Geral de
Armamento e o atual formato adotado no Brasil, onde essas diferenças passam
pelo contexto histórico, cultura institucional e a imprevisibilidade
orçamentária do Brasil, que sofre com a "ausência de continuidade orçamentária"
(PACHECO; PEDONE, 2016).
Na França, há um projeto de soberania de 1961 (DGA,2023) que veio sendo
maturado e desenvolvido institucionalmente ao longo dos anos, mostrando
resultados, sempre com amplo apoio de diferentes governos que se passaram, mantendo
se fiel ao seu papel original de centralizar as decisões do setor em para qual
foi desenvolvido, integrando diferentes setores da sociedade francesa para um
progresso conjunto em todas as áreas.
No Brasil, observa-se um desenvolvimento com muitas idas e vindas, com
planos que mais se parecem com planos de governo e não a longo prazo, sempre à
mercê das mudanças políticas a defesa nacional e sua indústria foi sendo
marginalizada (ALMEIDA,2010). O próprio um ministério da defesa, em seu formato
atual ainda recente (BRASIL,1999) e, como aponta, aponta (FUCCILLE,2006) e mal
compreendido pela esfera civil e política do país.
A diferença mais evidente de um modelo de outro é o orçamentário, onde a
França possui um planejamento plurianual garantindo os investimentos
necessários para a manutenção de seus projetos em andamento através do Lois de
Programmation Militaire (LPM) (MINISTÈRE DES ARMÉES, 2024). Em contraste, o
ministério da defesa do Brasil tem pouca garantia que seus projetos vão ser
concluídos dentro do prazo inicial, resultado da instabilidade orçamentária
(PACHECO; PEDONE, 2016) vivida pela pasta.
O contraste entre as duas instituições (DGA e Ministério da Defesa) é
nítido, onde o órgão francês atua como "principal vetor de políticas públicas
na defesa, inovação tecnológica e desenvolvimento industrial" de seu país,
administrando projetos estratégicos de longa vida com o Estado francês agindo
como principal ator articulador desse sistema.
Por outro lado, apesar do ministério da defesa do Brasil ter uma ligação
direta com a Base industrial de defesa (BID), não possui um planejamento amplo
e conjunto entre as forças armadas do país, com cada força tocando seus
próprios projetos estratégicos de forma individual.
O mais próximo ao modelo francês que temos atualmente no Brasil, seria o
SEPROD, a Secretária de Produtos de Defesa, secretária essa criada por meio do Decreto nº
7.364, de 23 de novembro de 2010, como previsão da Estratégia Nacional de
Defesa de 2008, que preconizava a reorganização da Base Industrial de Defesa
(BID) para assegurar o atendimento às necessidades de equipamento das Forças
Armadas, apoiado em tecnologias sob domínio nacional, preferencialmente de
emprego dual (BRASIL, 2023).
Fica evidente, portanto, que a replicação total do modelo DGA no Brasil
não é viável, dadas as barreiras estruturais já discutidas, como a cultura
política e a instabilidade orçamentária. O caminho não é a cópia, mas sim a
adaptação do conceito de governança centralizada ao contexto e à realidade
institucional brasileira.
O Brasil já possui bases sólidas para essa adaptação. Como visto, a
SEPROD apresenta-se como um embrião institucional que pode ser fortalecido.
Além disso, o país já demonstrou pontos de convergência com a lógica francesa
em programas estratégicos, como o Programa FX-2 da Força Aérea Brasileira. Este
programa, ao incluir cláusulas de "transferência de tecnologia" e
produção local, seguiu uma lógica de aquisição de defesa como fomento industrial,
similar à praticada pela DGA (BRASIL, 2014).
4.4 Diretrizes
e Propostas para o Brasil:
Neste capítulo iremos sintetizar diretrizes e propostas para possíveis
soluções no modelo da DGA em um âmbito nacional brasileiro.
4.4.1 Diretriz de Governança:
Fortalecimento do SEPROD
Começando pelo “Elo mais forte” entre a DGA e o MD, o SEPROD tem algumas
estruturas em seu organograma que coincidem com a DGA, poderiam servir de base
para uma nossa instituição dentro do ministério da defesa, estamos falando em
adaptar a secretaria com o que falta e aprimorar os objetivos que já lhe foram
designados.
Gerando uma maior integração entre as forças armadas e a BID, agrupando
projetos estratégicos conjunto, para desenvolver novos produtos que atendam a
demanda de ambas as forças, facilitando logística, interoperacionalidade entre
forças armadas, e gerando linhas de produção contínuas para o produto final,
saindo assim de meros protótipos para uso prático nas forças armadas.
Atendendo às necessidades conjuntas das forças, empresas que já compõem
a BID, teriam mais demandas de produção de meios, o que resulta em ganhos
econômicos, geração de novos empregos direta ou indiretamente ligados ao setor
e desenvolvimento industrial nacional, trazendo o Brasil não só uma soberania
estratégica para uso interno, mas se tornando uma opção de compra no mercado
internacional.
4.4.2 Diretriz de Financiamento
Atualmente, está em discussão no senado, na Comissão de Relações
Exteriores (CRE) a PEC 55/2023. Essa proposta que estabelece valor mínimo de
dois por cento do PIB brasileiro para investimentos em defesa, esse valor, se
aprovado, equipara o Brasil à porcentagem de investimento de boa parte dos
países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Essa proposta, seria nossa equivalente ao LPM francês, criando um
planejamento institucional para defesa nacional, mecanismo esse que blindaria o
orçamento da pasta de cortes orçamentários. Nesse sentido o valor estabelecido
já será um bom ponto de início, para a atualização dos meios, para a busca da
obtenção da capacidade plena das forças armadas, para a geração de empregos no
setor e para o desenvolvimento de novas tecnologias nacionais.
4.4.3 Diretriz de Inovação
No Brasil já tivemos exemplos de bons resultados em parcerias
estratégicas com outros países, um dos bons exemplos é a França com a
assinatura do contrato do PROSUB (Programa Estratégico da Marinha do Brasil),
que tem como objetivo de construção de 5 submarinos em solo nacional, para esse
projeto uma empresa nacional teve que se capacitar e trabalhar em conjunto ao
fornecedor francês (Naval Group).
A transferência de tecnologia seria um ponto de início interessante para
tecnologias ainda não acessíveis às instituições de pesquisas públicas ou privadas
do país.
Diante dessas diretrizes, observa-se que o modelo francês da DGA oferece
importantes lições ao Brasil, mas sua aplicação deve ocorrer por meio de
adaptação e não de reprodução literal. A realidade institucional brasileira,
marcada por restrições orçamentárias, instabilidade política e fragmentação de
projetos, exige soluções ajustadas ao seu próprio contexto histórico e
estratégico.
O fortalecimento do SEPROD, a garantia de previsibilidade orçamentária e
o estímulo à inovação tecnológica e à BID estão em consonância com os eixos da
Estratégia Nacional de Defesa (END), representando caminhos concretos para
consolidar a defesa como política de Estado.
Assim, o desafio não é importar estruturas estrangeiras, mas construir
uma governança nacional capaz de assegurar continuidade, autonomia e integração
entre Estado, Forças Armadas, indústria e sociedade.
Considerações
finais
Ao decorrer deste artigo, foram apresentados os problemas enfrentados
pela gestão do Ministério da Defesa do Brasil, desde a sua concepção até os
dias atuais, considerando como base de comparação a
Direção Geral de Armamento (DGA) francês.
O DGA, estabelecido em 1961, tem por papel integrar os gastos com defesa
e ser o principal vetor de desenvolvimento de tecnologia militar do país da
França. Durante a execução do trabalho foi possível abordar: o funcionamento e
estrutura da DGA; as estratégias de política pública e inovação e comparativo
entre França (DGA) e Brasil.
Entre os itens de maior relevância apontados neste estudo, pode-se
citar: utilização de instrumentos de planejamento como os Programmes d’Armement
e as Lois de Programmation Militaire (LPM), que asseguram previsibilidade
orçamentária. Um modelo de governança integrada, articulando Estado, Forças
Armadas e Base Industrial de Defesa (BID), garantindo soberania tecnológica.
Além disso, pode-se apontar ainda
que a DGA funciona como vetor de políticas públicas de defesa e inovação,
articulando indústria e ciência; utiliza Compras Públicas Estratégicas para
fomentar a indústria nacional e impulsionar novas tecnologias.
Em comparação com o Ministério da
Defesa Brasileiro, pode-se citar a DGA possui continuidade desde 1961; no
Brasil, a defesa ainda é marcada por idas e vindas políticas; a França conta
com planejamento plurianual estável (LPM), enquanto o Brasil sofre com
imprevisibilidade orçamentária, e pôr fim a DGA é centralizada e integrada,
enquanto no Brasil o Ministério da Defesa é recente e fragmentado.
Após essa análise identificou-se que
a replicação exata da DGA no Brasil não seria possível, levando em conta
diferentes culturas institucionais a serem quebradas, fragmentação das pastas
das forças armadas, barreiras orçamentárias e falta de coesão no pensamento do
público sobre o assunto.
A possível aprovação da PEC 55/2023,
aumentando o valor base de investimento na pasta da defesa e possibilitando a
atualização e orçamento contínuo para os projetos estratégicos de longo prazo.
Isso contribui também para futuras parcerias estratégicas com outros países a
partir de transferência de tecnologias.
Portanto, a experiência da Direção
Geral de Armamento (DGA) evidencia que a defesa pode ser tratada como política
de Estado e vetor de desenvolvimento, cabendo ao Brasil adaptar tais lições à
sua realidade institucional para transformar a Base Industrial de Defesa em
alicerce de soberania, inovação tecnológica e crescimento estratégico de longo
prazo.
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